Lacrimejamento constante em recém-nascidos pode indicar obstrução do canal lacrimal. Saiba quando procurar avaliação.
O olhinho que vive molhado e amanhece grudado é uma das queixas mais comuns nos primeiros meses de vida. E costuma assustar mais do que precisaria.
Na maior parte das vezes, a causa é uma obstrução no canal que leva a lágrima do canto do olho até o nariz. É um canal muito estreito, e em alguns bebês ele ainda não está completamente aberto ao nascer. A lágrima é produzida normalmente, mas não encontra saída, então transborda.
O sinal clássico é o lacrimejamento sem motivo aparente. Não é choro, não é vento, não é sol. O olho simplesmente fica molhado o tempo todo. Costuma vir acompanhado de secreção, principalmente ao acordar, e às vezes de vermelhidão na pele ao redor por causa da umidade constante.
A boa notícia é que boa parte dos casos se resolve com acompanhamento e tratamento ao longo dos primeiros meses, sem precisar de procedimento. Por isso a orientação inicial costuma ser observar e tratar, com retorno marcado.
Quando a obstrução não se resolve dentro do tempo esperado, existe indicação de procedimento para desobstruir a via lacrimal. É rápido e resolve a maior parte dos casos.
O que merece atenção mais rápida é o inchaço com dor no canto interno do olho, perto do nariz, ou episódios repetidos de infecção na região. Isso indica que a lágrima está acumulando e precisa de avaliação sem esperar.
Meu conselho para as famílias é simples: se o olho do bebê lacrimeja de forma persistente, marque uma avaliação em vez de esperar passar. Na maioria das vezes a conversa termina com tranquilidade, e nos casos que precisam de conduta, tempo faz diferença.

