Sempre pergunto sobre histórico familiar na primeira consulta, e muita gente estranha. A pergunta tem motivo.
Existe uma relação entre estrabismo e histórico familiar. Quando pai, mãe, irmão ou avós tiveram desvio ocular, a chance de a criança apresentar também é maior do que na população em geral. O mesmo vale para grau alto de hipermetropia, que é uma das causas de estrabismo na infância.
Isso não significa que a criança vai ter estrabismo porque alguém da família teve. Também não significa que a ausência de histórico afaste a possibilidade, porque boa parte dos casos que atendo não tem nenhum parente com desvio. O que o histórico familiar faz é indicar quem merece ser avaliado mais cedo.
Na prática, é isso que eu oriento. Se existe estrabismo na família, vale levar a criança para avaliação mesmo sem nenhum sinal aparente, e não esperar que alguém perceba um desvio. Muitos casos começam de forma discreta, aparecendo só quando a criança está cansada ou distraída, e passam despercebidos justamente na fase em que o tratamento tem mais a oferecer.
Vale lembrar que o estrabismo não é uma condição única. Existem tipos diferentes, com causas diferentes, e o peso da hereditariedade não é o mesmo em todos eles. O que se herda com mais frequência é a predisposição, não um quadro específico.
Se você teve estrabismo, ou alguém próximo na família teve, agende uma avaliação para seu filho. Uma consulta que termina sem nenhum achado também é uma boa notícia.

