A idade da cirurgia de estrabismo depende do tipo de desvio e da estabilidade do quadro. Entenda o que define o momento certo.
Essa é provavelmente a pergunta que mais escuto no consultório. E a resposta honesta é que não existe uma idade única.
O que define o momento da cirurgia não é o calendário. É o tipo de estrabismo, o quanto o desvio está estável e o que ele já está causando no desenvolvimento da visão da criança.
Alguns casos são operados a partir dos seis meses de idade. Isso costuma surpreender as famílias, mas tem uma razão clara: quanto mais cedo os olhos passam a trabalhar juntos, maior a chance de o cérebro desenvolver a visão em conjunto, aquela que dá noção de profundidade. Essa capacidade tem uma janela de formação nos primeiros anos de vida, e ela não se abre de novo depois.
Em outros casos, esperar é a conduta certa. Existem desvios que melhoram com o uso de óculos, outros que oscilam bastante e precisam de acompanhamento até estabilizar. Operar um desvio que ainda está mudando aumenta a chance de precisar de um segundo procedimento.
Por isso a avaliação vem antes de qualquer decisão. Meço o desvio em todas as posições do olhar, verifico como cada olho está enxergando separadamente e observo se já existe perda de visão no olho desviado. É esse conjunto que responde se a criança opera, quando opera e o que se espera do resultado.
O que eu peço às famílias é que não esperem a criança crescer para procurar avaliação. A consulta não significa cirurgia marcada. Significa saber em que ponto o caso está enquanto ainda dá para escolher o melhor caminho.
Se você percebeu algum desvio no olhar do seu filho, mesmo que apareça só de vez em quando, vale agendar uma avaliação.

